Quanto o desconto médio tira do resultado do ano: a conta que poucas PMEs fazem
Quase toda empresa concede desconto de vez em quando, e quase nenhuma soma, ao final do ano, quanto esses descontos somados tiraram do resultado. O desconto isolado parece pequeno: cinco por cento aqui, um mês de carência ali, uma condição especial para fechar antes do fim do mês. O problema não é o desconto pontual, é ele se repetir todo mês sem que ninguém tenha decidido, de propósito, abrir mão dessa margem em troca de alguma coisa.
O desconto que ninguém soma
Na maioria das PMEs, o desconto concedido em cada venda fica registrado apenas no valor final da proposta, quando fica registrado em algum lugar. Ninguém consulta, ao fim do trimestre, quanto de margem foi cedida no total, para quantos clientes, e com que frequência. O que existe é a sensação de que "às vezes a gente dá uma condição especial", sem nenhum número que confirme se essa condição especial é exceção rara ou já virou rotina disfarçada de flexibilidade comercial.
Por que o desconto aparece justamente quando o processo falha
Desconto raramente é decisão estratégica de precificação. Na prática, ele costuma ser o sintoma de um processo de conversão que não está funcionando em algum outro ponto, e o abatimento de preço vira o atalho para compensar essa falha na hora do fechamento.
- A proposta ficou parada dias demais sem follow-up, o cliente esfriou, e o desconto é a forma mais rápida de reaquecer a negociação sem entender por que ela esfriou.
- Ninguém sabe, no momento da conversa, quantas propostas o vendedor já tem em aberto naquele mês, e o desconto entra como pressa para fechar qualquer coisa antes do fechamento do período.
- A empresa não tem clareza da própria taxa de fechamento por etapa, então não sabe se o problema real está no preço ou em algum ponto anterior do funil, e o desconto acaba tratando o sintoma errado.
- Não existe alçada definida por cargo, e cada vendedor decide sozinho até onde pode ceder, sem nenhum critério comum entre um e outro.
A conta: o que um desconto de rotina tira do ano
Um cenário hipotético ajuda a tornar esse número concreto, sem representar nenhum cliente real. Uma empresa de serviços B2B fecha, em média, sessenta vendas por mês, com ticket médio de três mil reais quando a proposta sai pelo preço de tabela. Em metade dessas vendas, o vendedor concede um desconto médio de oito por cento para acelerar o fechamento.
- Trinta vendas por mês recebem desconto médio de oito por cento sobre um ticket de três mil reais: duzentos e quarenta reais a menos em cada uma.
- Isso soma sete mil e duzentos reais de margem cedida por mês, só nessas trinta vendas.
- Ao longo de doze meses, o total chega a oitenta e seis mil e quatrocentos reais de margem que saiu da empresa sem que ninguém tivesse decidido, de propósito, abrir mão dela.
O número em si importa menos do que o raciocínio por trás dele: nenhuma dessas concessões, isoladamente, pareceu grave o suficiente para virar assunto de reunião. Foi a soma de decisões pequenas, repetidas mês após mês, sem registro nem revisão, que produziu um resultado que ninguém teria aprovado se tivesse sido apresentado de uma vez só, como um único pedido de oitenta e seis mil reais de desconto anual.
O que costuma esconder esse número no dia a dia
Duas coisas, geralmente. A primeira é a ausência de um campo próprio para desconto dentro do negócio no CRM: quando o valor final já sai direto da proposta, sem separar preço de tabela e abatimento concedido, a informação nunca chega a existir como dado, só como resultado. A segunda é a falta de um corte por vendedor: sem comparar taxa de fechamento e ticket médio de quem concede desconto com frequência contra quem raramente concede, fica impossível saber se o desconto está realmente acelerando o fechamento ou só reduzindo a margem de vendas que fechariam de qualquer forma, com ou sem ele.
Como reduzir sem proibir desconto
Proibir desconto por decreto raramente funciona, porque ignora que às vezes ele é mesmo a decisão certa diante de um cliente específico. O que reduz o desconto que nasce de processo quebrado, sem eliminar o desconto que faz sentido comercial, é dar visibilidade a ele antes de aprová-lo.
- Registrar todo desconto no próprio negócio, como campo separado do preço de tabela, antes de a proposta sair para o cliente.
- Definir alçada por cargo: até quanto o vendedor decide sozinho, a partir de que ponto precisa de aprovação do gestor.
- Acompanhar, por vendedor, a taxa de fechamento e o ticket médio com e sem desconto, para saber se a concessão está mesmo influenciando o resultado.
- Revisar a idade das propostas em aberto antes de qualquer negociação de fim de mês: parte do desconto de última hora nasce de proposta que devia ter tido follow-up dias antes.
Nenhum desses quatro pontos depende de contratar mais gente ou de reescrever o processo comercial inteiro. Depende de o desconto deixar de ser uma informação que só existe na cabeça de quem vendeu, e passar a ser um dado que a gestão pode somar, comparar e revisar mês a mês.
Se a sua empresa não sabe hoje quanto o desconto médio tirou do resultado do último ano, nem por que ele costuma aparecer nas mesmas situações, vale entender de onde viria esse número antes de discutir política de preço. Uma conversa com a nossa equipe em /contato dura 45 minutos e serve para mapear onde o funil de propostas está perdendo margem sem registro, sem compromisso de contratar nada.
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